Utilize este identificador para citar ou criar um atalho para este documento: http://hdl.handle.net/10923/2746
Tipo: doctoralThesis
Título: Religiosidade e educação no contexto da pós-modernidade: da ambivalência da fixação e da flutuação à aporia do amor
Autor(es): Sandrini, Marcos
Orientador: Pivatto, Pergentino Stefano
Editora: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Programa: Programa de Pós-Graduação em Educação
Data de Publicação: 2007
Palavras-chave: EDUCAÇÃO E RELIGIÃO
RELIGIÃO E SOCIEDADE
MODERNIDADE
PÓS-MODERNIDADE
RELIGIOSIDADE

COMPLEXIDADE
Resumo: Há um revival religioso no mundo. Alguns o interpretam como uma revanche do religioso após muito ateísmo. Outros, ao contrário, o interpretam como o seu último grito de vida. Nossa tese quer abordar a mútua interpenetração entre religiosidade, educação e pós-modernidade. A modernidade não soube dialogar com a religião e, ao mesmo tempo, a religião a condenou. Será que na pós-modernidade continuaremos com este estranhamento? Queremos apresentar pontos de encontro entre religiosidade e pós-modernidade para um diálogo eficaz entre ambos tendo em vista, sobretudo, a educação das novas gerações. Num primeiro momento procuraremos apresentar a modernidade com a descrição de algumas características fundamentais suas: a ciência linear, as metanarrativas e o pensamento forte, a história como progresso linear, a secularização religiosa, a ilustração e o código ético baseado na natureza humana. Como contraponto, num segundo momento, caracterizaremos a pós-modernidade como quebra deste paradigma: a complexidade e a ciência; a dissolução das metanarrativas e o pensamento fraco; o novo como fim da história; o niilismo e as chances da religião; o novo código ético aporético; a liberação da metáfora. Esta descrição nos coloca a questão se há ou não pós-modernidade. Procuraremos apresentar as visões de alguns autores importantes: Habermas, Giddens, Küng, Lyotard, Patella, Vattimo, Heidegger. Faremos uma análise do prefixo pós e suas diversas interpretações. Enfrentaremos, a seguir, a dimensão religiosa a partir do surgimento do novo paradigma do fim do fundamento e da metafísica, bem como da ética nãoambivalente e não-aporética. Nietzsche ao afirmar que Deus morreu pode-nos dar novas perspectivas para a religiosidade e a religião.Assim, se a metafísica não pode provar que Deus existe, também não pode provar o contrário. Agora começa o processo de construção de uma religião a partir da kénosis, do despojamento e da despretensão metafísica. Ao mesmo tempo, libertando-nos da unidimensionalidade da razão omniabrangente, a pós-modernidade abre a pessoa humana para dimensões perdidas, sobretudo da hospitalidade do outro e do diferente. A razão não morreu. Quem morreu foi o seu endeusamento. Finalmente, a partir do refletido, apresentamos a contribuição da educação para este diálogo entre religião, religiosidade, fé e pós-modernidade. Numa visão mais holística da pessoa humana também a educação é desafiada a educar as novas gerações na cultura da complexidade. Tudo e todos estamos interligados. O maior ponto de encontro é a defesa e a promoção da dignidade da vida, de qualquer vida. As novas gerações sabem que vivemos duas crises interligadas: a ecológica e a social. O caminho é a passagem da ambivalência da fixação e da flutuação para a aporia do amor. As religiões sabem de fixação. A pós-modernidade sabe de flutuação. O amor faz a síntese entre as duas. Afinal, com a vida tão ameaçada, ninguém pode se eximir de contribuir, denunciando e anunciando, para a geração de uma nova cultura. A educação, sobretudo a escolar, é desafiada a primar pela competência profissional, com a excelência como eficiência, mas também com a sensibilidade social, com a excelência como eficácia. É o racional se aliando com o intuitivo, a imaginação e a criatividade. Afinal, os pobres não podem mais sofrer e morrer sem viver uma vida de dignidade e de paz.
The world is experiencing a religious revival. Some have interpreted it as the religion revenge for the long years of atheism, whilst others see it as a last cry of life. The present thesis approaches the mutual interpenetration among religiousness, education and post-modernity. Modernity was not able to establish a dialogue with religion, and at the same time, religion condemned modernity. Will such disagreements enter the post-modern age? We intend to raise some points in common between religiousness and post-modernity in order to promote an effective dialogue between them, aiming above all at the education of future generations. Firstly, we present modernity and describe some of its fundamental features: linear science, metanarratives and powerful reasoning, history as linear progress, religious secularization, illustration and ethical code based on the human nature. Then, as a counterpoint, we characterize post-modernity as a paradigm shift: complexity and science, dissolution of the metanarrative and weak reasoning, the new as the end of the history, nihilism and the chances of religion, the new aporetic ethical code and the large use of metaphors. The afore mentioned description raises an issue: is there post-modernity or not? We present an overview of some important authors: Habermas, Giddens, Küng, Lyotard, Patella, Vattimo, Heidegger. An analysis of the prefix post and its interpretations will be carried out. The next topic is the approach to the religious dimension under the viewpoint of the new paradigm of the end of grounding and of metaphysics, as well as non-ambivalent and non-aporetic ethics. By claiming that God is dead, Nietzsche brings new perspectives into light for religiousness and religion, once if metaphysics can not prove that God exists, it can not prove He does not exist either.Now, a process of religion built from kenosis, from despoiling and unpretentious metaphysics begins. At the same time it frees us from the single dimension of omnicomprehensive reasoning, post-modernity opens the human being’s perspectives to dimensions that were lost, above all about the hospitality and singularities of the other. Reason is not dead; the worship of reason is. Eventually, based on such reflection, we introduce the contribution of education to such dialogue among religion, religiousness, faith and post-modernity. In a comprehensive view of the human being, education is also challenged to bring up future generations within the culture of complexity. We are interconnected to each other and with everything. The most comprehensive point in common is the protection and promotion of dignity, of any type of life. The new generations know that we are living two interconnected crises: the ecological and the social one. The answer is in going from the ambivalence of fixation and fluctuation to the aporia of love. Religions are aware of such fixation, and post-modernity is aware of fluctuation. Love is the synthesis of both religion and post-modernity. Life is so jeopardized that no one shall deny a contribution, denouncing and making announcements, for the generation of a new culture. Education, above all at school, is challenged to give priority to professional competence, with excellence being the same as efficiency, but also with the social sensibility, with excellence as effectiveness. The reason is in line with intuition, imagination and creativity. After all, the poor should not ever suffer and die without the opportunity to live with dignity and in peace.
URI: http://hdl.handle.net/10923/2746
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