Utilize este identificador para citar ou criar um atalho para este documento: http://hdl.handle.net/10923/3418
Tipo: masterThesis
Título: O agir humano em Confissões e obras anteriores de Agostinho de Hipona: um estudo das relações entre libido, consuetudo e voluntas
Autor(es): Degani, Patrícia
Orientador: De Boni, Luis Alberto
Editora: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Programa: Programa de Pós-Graduação em Filosofia
Data de Publicação: 2008
Palavras-chave: FILOSOFIA
AGOSTINHO, SANTO - CRÍTICA E INTERPRETAÇÃO
DESEJO
VONTADE
Resumo: In order to answer the question of why the subject does not always act according to his reasoning, Augustine of Hippo (354-430 A. D. ) establishes the concept of divided will in Confessions, Book VIII. Such concept comes from the interconexion of the terms libido, consuetudo and voluntas developed in his work previous to the Confessions, from the pieces written in his first years to the one produced until 401 A. D. Upon the analysis of libido, consuetudo and voluntas in the works previous to Augustine’s autobiographical work, the following ideas remain with a significant number of occurrences: the idea of libido as an unbridled desire, consuetudo as a habit and an evolution of the concept of voluntas parted into will (voluntas) and free choice of the will (liberum arbitrium voluntatis). In this specific context, will may be understood as an inclination which might tend both to temporal or eternal goods. However, due to man’s corrupted nature after the Fall, the will does not naturally tend towards eternal goods. Since the will tends towards temporal goods, the unbridled desire and the habit of enjoying such goods prevent mankind from the absolute use of the free choice of the will. Therefore, a partition of the will between superior and inferior goods occur. The free choice of will is not able to establish its power to determine the will, since it is obstructed by the unbridled desire, which is part of the fallen man, and by the habit. The liberation of free choice of the will from the chains of the libido and the consuetude is perceived as a work of the Divine Grace, since the unbridled desire may not be overcome by the individual itself, although it is possible to fight against the habit. Therefore, the interconnection among libido, consuetudo and voluntas explains the idea of divided will and the necessity of intervention of a power above man to discontinue the vicious cycle thus established.
Para responder à pergunta de por que o sujeito não age sempre segundo sua razão, Agostinho de Hipona (354- 430 d. C) formula o conceito de vontade cindida em Confissões, VIII. Esse conceito resulta da interrelação dos termos libido, consuetudo e voluntas desenvolvida nas obras anteriores ao ano de aparição de Confissões, compreendidas entre suas primeiras obras até 401 d. C. Na análise de libido, consuetudo e voluntas nas obras anteriores ao relato autobiográfico do hiponense, com um número significativo de ocorrências, permanece o entendimento de libido como desejo desmedido, consuetudo como hábito e uma evolução no conceito de voluntas, desdobrado entre vontade (voluntas) e livre-arbítrio da vontade (liberum arbitrium voluntatis). A vontade, entendida nesse contexto específico como uma inclinação, pode pender tanto para os bens temporais quanto para os eternos. No entanto, devido à natureza corrompida do homem depois da Queda, a vontade já não mais se inclina naturalmente para os bens eternos. Estando a vontade inclinada para os bens temporais, o desejo desmedido e o hábito de usufruir desses bens impedem o pleno exercício do livrearbítrio da vontade. Ocorre, portanto, uma cisão da vontade entre os bens superiores e os inferiores. O livre-arbítrio não consegue exercer o seu poder de determinar a vontade, pois está impedido pelo desejo desmedido, constitutivo do homem caído, e pelo hábito. A libertação do livre-arbítrio dos grilhões da libido e da consuetudo é percebida como obra da Graça divina, uma vez que o desejo desmedido não pode ser superado pelo próprio indivíduo, embora se possa combater o hábito. Portanto, a interrelação entre libido, consuetudo e voluntas explica a idéia de vontade cindida e a necessidade da intervenção de um poder acima do homem para romper o ciclo vicioso assim instaurado.
URI: http://hdl.handle.net/10923/3418
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