Utilize este identificador para citar ou criar um atalho para este documento: http://hdl.handle.net/10923/4994
Tipo: masterThesis
Título: Maus-tratos na infância e coping no curso do transtorno bipolar
Autor(es): Daruy Filho, Ledo
Orientador: Grassi-Oliveira, Rodrigo
Editora: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Programa: Programa de Pós-Graduação em Psicologia
Data de Publicação: 2011
Palavras-chave: PSICOLOGIA COGNITIVA
NEUROCOGNIÇÃO
TRANSTORNO BIPOLAR
ESTRESSE
CRIANÇAS - MAUS TRATOS
TRAUMAS PSICOLÓGICOS
Resumo: Dentro do modelo de carga alostática no Transtorno Bipolar (TB), a resposta ao estresse representa um papel de grande importância no curso da doença. Estressores psicossociais, como eventos de vida negativos e a exposição a maus-tratos durante a infância (MTI) são algumas das variáveis que, através de mecanismos neurofisiológicos e neuropsicológicos, moderam a gravidade e o deterioro do TB. Ao ser submetido a um evento estressor, o indivíduo utiliza-se de estratégias de ação para o manejo do problema. A esse fenômeno, dependente de processos cognitivos, em especial o funcionamento executivo, denominamos coping. O coping pode se apresentar focalizado no problema, onde há a tentativa de intervir diretamente sobre o estressor, tentando modificá-lo (através de resolução de problemas ou reavaliação cognitiva), ou focalizado na emoção quando, pelo contrário, o indivíduo usa apenas de esforços para a regulação do estado emocional associado ao estresse, como forma de diminuir o desconforto emocional causado pelo estressor. A exposição a formas crônicas ou graves de estresse, como MTI, está associada a prejuízos neurofuncionais vinculados principalmente a estruturas do córtex pré-frontal e amígdala, de quem o coping depende. O prejuízo no modo com que esses indivíduos irão lidar com os novos estressores faz crescer o seu peso alostático, promovendo impacto direto sobre o curso do TB. O objetivo dessa dissertação é responder a três questões: (a) Qual o impacto da exposição a maus-tratos durante a infância no curso do transtorno bipolar? (b) Quais são os dados recentes na pesquisa científica sobre coping no transtorno bipolar? (c) Qual o impacto da exposição a maus-tratos durante a infância nas estratégias e estilos de coping em pacientes portadores de transtorno bipolar?Para respondê-las, são apresentados três artigos científicos. O primeiro artigo apresenta uma revisão sistemática sobre o impacto dos MTI no curso do TB. A seleção dos artigos foi realizada até julho de 2010, através dos bancos de dados Medline e ISI, buscando estudos empíricos que identificassem maus-tratos na infância como uma variável preditora do curso do TB. Dos 342 estudos encontrados e analisados, 18 foram selecionados para a revisão. A síntese desses trabalhos confirma a hipótese de que o curso do transtorno se apresenta pior em indivíduos expostos a MTI. Os maus-tratos predizem um padrão de doença caracterizado por um início precoce, ciclagem rápida, recorrência, comorbidades, maior gravidade dos sintomas, pior resposta ao tratamento e maior número de internações e tentativas de suicídio. O segundo artigo apresenta uma proposta de modelo teórico para o entendimento do coping no TB. Nele, o coping é tratado como um processo dependente de funções cognitivas, especialmente o funcionamento executivo. Anormaliades neuroanatômicas e neurofuncionais associadas com o TB podem afetar os mecanismos que estão envolvidos com uma seleção adequada de estratégias e estilos de coping. Como consequência, a habilidade dos indivíduos em reduzir a carga do estresse está prejudicada, aumentando a vulnerabilidade a eventos estressores e afetando negativamente o curso do TB. Por fim, o artigo empírico teve o objetivo de investigar o impacto da exposição a MTI na escolha por estilos e estratégias de coping de pacientes bipolares adultos. Trinta mulheres portadoras de TB tipo 1, eutímicas, foram selecionadas e tiveram suas estratégias e estilos de coping avaliados através, respectivamente, dos instrumentos Escala Modos de Enfrentamento de Problemas (EMEP) e Escala Brief COPE.A presença de MTI foi mensurada através do Questionário sobre Eventos Traumáticos na Infância (QUESI/CTQ). Os resultados desse trabalho confirmam a hipótese que eventos traumáticos acontecidos durante a infância interferem negativamente no modo em que indivíduos enfrentam situações estressoras (coping). Pacientes bipolares que foram submetidas a MTI, em especial negligência física e emocional e abuso físico, apresentam uma preferência pelo uso de estilos e estratégias de coping focados no controle emocional, mais voltados a um comportamento esquivo em relação ao estressor, portanto menos resolutivos. Em concordância com a linha teórica proposta, o uso de estilos e estratégias de coping associados a reavaliação cognitiva ou resolução de problemas foram menos frequentes na população submetida a maus-tratos. Conclui-se que a exposição a MTI influencia o processo de manejo do estresse nos indivíduos bipolares, sugerindo o coping como mais um preditor de vulnerabilidade para um pior curso da doença. Em uma hipotética e provável situação estressora no futuro, as pacientes expostas a MTI irão experiência-la de maneira mais negativa e deletéria, aumentando o peso alostático daquele evento. Portanto, a presente dissertação apresenta os MTI como fatores de vulnerabilidade para um curso pernicioso do TB, e como preditor da seleção de estilos e estratégias de coping menos adaptativas. Por fim, é fornecido o embasamento teórico apresentando o coping como mais uma variável moderadora do desfecho clínico do transtorno.
Inside the model of allostatic load in Bipolar Disorder (BD), stress response represents a important role on the course of disease. Psychosocial stressors, such negative life events and childhood maltreatment (CM) are some of variables that through neurophysiological and neuropsychological mechanisms moderate BD severity and impairment. When submitted to a stressor, a person uses strategies to manage the problem. This process, dependent of cognitive processes especially executive functioning, we called coping. Coping can be problem focused, with attempt to act directly on the source of stress to change it (by problem solving or cognitive reappraisal), or emotional focused when, in a other way, person uses efforts to only regulate the emotional distress caused by stressor. Exposition to chronic or severe stress – such as CM – is associated to neurofunctional impairments linked to prefrontal cortex and amygdala, from which coping depends. Impairment in the way how this individuals will deal with new stressors will increase their allostatic load, promoting direct impact on the course of BD. The objectives of this dissertation are to answer three questions: (a) How exposure to abuse or neglect in childhood impacts the course of BD? (b) What the more recent developments regarding coping in BD? (c) What is the impact of exposure to CM in ways and styles of coping in patients with BD? To answer them, three papers are presented. The first one presents a comprehensive systematic review of the impact of the CM on the course of BD. Paper selection was performed in Medline and ISI database from March to July 2010, searching empirical papers where CM is a predictor variable on the course of BD. 342 papers were identified and screened, and 18 were selected to systematic review. The synthesis of this studies confirms the hypothesis that the disorder is worse in individuals exposed to CM.Maltreatment predict a pattern of disease characterized by early onset, rapid cycling, recurrence, comorbidities, high severity of symptoms, poor response to treatment and great number of hospitalizations and suicide attempts. The second paper presents a theoretical model for coping in BD. In this model coping emerge as a process dependent of cognitive functions, particularly executive functioning. Neuroanatomical and neuropsychological abnormalities associated with BD affect mechanisms an adequate selection of coping strategies. Thus, the ability of individuals to reduce their own stress burden is impaired, increasing vulnerability to stressful life events and negatively affecting the course of BD. The last paper provides empirical results of the impact of CM in the coping of bipolar patients. Thirty BD type 1 euthymic women were selected and had their strategies and coping styles accessed respectively through the brazilian versions of Ways of Coping Scale (EMEP) and Brief COPE. Presence of CM was measured by the Childhood Trauma Questionnaire Questionnaire (QUESI/CTQ). The results of this study confirm the hypothesis that traumatic events occurred during childhood cause negative interference on the way that individuals cope with stressful situations. BD patients submitted to CM, especially physical and emotional neglect and physical abuse, have a preference for emotional focused coping, linked to an avoidant behavior in relation the stressor, thus less resolute and adaptive. In agreement with our theoretical model, using adaptive coping, in particular those associated with cognitive reappraisal or problem solving, was less frequent in the group subjected to CM. Concluding, the exposure to CM influences the process underlying stress in BD, suggesting coping as another predictor of vulnerability to a worse course of illness.In a hypothetical stressful situation in the future, this patients will experience it in a more negative and deleterious pattern, increasing the allostatic load of that event. This dissertation shows CM as a vulnerability factor for a pernicious course of BD, and as predictor of coping styles and strategies less adaptive. Finally, it provided a theoretical framework presenting coping as a moderator of BD outcome.
URI: http://hdl.handle.net/10923/4994
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