Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10923/5264
Type: masterThesis
Title: Ser humano cristão nos dias atuais: um estudo das dimensões constitutivas do ser humano, em face da sua autocompreensão nos tempos hipermodernos, à luz da antropologia teológica cristã desde Gaudium et Spes
Author(s): Raupp, Klaus da Silva
Advisor: Susin, Luiz Carlos
Publisher: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Graduate Program: Programa de Pós-Graduação em Teologia
Issue Date: 2008
Keywords: TEOLOGIA
HOMEM (TEOLOGIA)
PÓS-MODERNIDADE
CRISTÃOS
Abstract: A antropologia teológica cristã apresenta a premissa de que o ser humano só se realiza plenamente enquanto relacional. Criado à imagem e semelhança de Deus, o homem somente alcança a sua verdadeira e máxima felicidade quando responde fielmente ao seu chamado original, numa abertura a todas as dimensões que lhe constituem como pessoa. Em resumo, o ser humano só “é” enquanto relacional. No caminho do homem, no entanto, está o pecado, como realidade que o faz viver de modo inadequado tais dimensões, e na qual ele se nega, a partir do egoísmo e do imediatismo, à abertura total à relacionalidade. O pecado, portanto, desumaniza o ser humano, tornando-o menos do que ele é chamado a ser. Na raiz dessa negação, encontram-se posturas que dividem ou separam a essência do homem, como o dualismo e seus unilateralismos. A pessoa, em sua imanência, é autônoma, mas não pode prescindir da sua transcendência, que lhe é inerente. Chamada a realizar a si mesma, a pessoa só consegue fazê-lo na medida em que se autotranscende, na relação com Deus, com o outro e com o mundo. Na medida em que o ser humano se fecha a qualquer uma das suas relações, caminha na direção contrária do seu devir, tornando-se menos humano, pois é na relacionalidade, inclusive, que a pessoa se compreende como tal. O individualismo, cuja origem recente remonta à modernidade e ao antropocentrismo, é o principal modo de negação da relacionalidade. E, nos tempos atuais, que o filósofo francês Gilles Lipovetsky denomina de hipermodernos, o individualismo é vivido ao extremo, sob as “regras” do mercado e do neoliberalismo, bem como sob a influência sempre maior da razão tecno-científica – das novas tecnologias. Daí porque se denomina o período atual de hipermodernidade, numa alusão à exacerbação da modernidade.Mas é justamente nesse contexto de hiperindividualismo narcísico que o homem de hoje se encontra desorientado, correndo atrás de uma felicidade paradoxal e alcançando, no mais das vezes, a própria decepção. Donde a fé cristã aponta que somente numa perspectiva integrada de sua personalidade, inclusiva de todas as suas dimensões constitutivas, é que o ser humano pode se permitir alcançar a sua plena realização existencial. E a resposta pessoal à plenitude do homem se encontra em Jesus Cristo. Eis o que ensina a Gaudium et Spes: o mistério do homem só no mistério do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente; Cristo revela o homem a si mesmo e descobre-lhe a sua vocação sublime; e tais verdades têm nele a sua fonte e nele atingem a sua plenitude. É Jesus Cristo quem convida o ser humano para uma vida verdadeiramente digna e feliz. Em cada uma das relações essenciais do ser humano – com Deus, com o outro, com o mundo e consigo mesmo – , Jesus Cristo mostra-lhe o caminho da autêntica humanidade, que não se opõe a Deus e às demais criaturas, mas que justamente se lhes dirige. É em Jesus Cristo que se realizam em seu extremo a liberdade e a possibilidade humanas.
The Christian theological anthropology presents the premise that the human being only becomes fully fulfilled if relational. Created as the image and similarity of God, man only reaches his true one and maximum happiness when he answers faithfully to his original call, in an opening to all the dimensions that constitute him as a person. In summary, the human being only “exists” if relational. In man’s way, however, there is the sin, as a reality that makes him live such dimensions in an inadequate way, and in which he refuses, from selfishness and the urge to have things done immediately, the total opening to his relationships. The sin, therefore, renders the human being inhuman, making him less than that one he is called to be. In the root of this denial, there are positions that divide or separate the essence of man, as the dualism and its unilateralisms. A person, in his immanence, is independent, but he cannot do without his transcendence, that is inherent to him. A person only manages to fulfill himself when he transcends himself in the relationship with God, with another person and with the world. As long as the human being closes himself to any of his relationships, he walks in the opposite way of his self-transformation, becoming less human, because it is in his relational being, also, that he understands himself as a person. The individualism, which recent origin retraces to modernity and to antropocentrism, is the main way to deny the relational being. And, nowadays, called by the French philosopher Gilles Lipovetsky as the hypermodern times, the individualism is lived to its extremity, under the “rules” of the market and the neoliberalism, as well as under the always bigger influence of the tecno-scientific reason – of the new technologies. That’s why the current period is called hypermodernity, indicating the exacerbation of modernity.But it is exactly in this context of narcissistic hyperindividualism that today’s man is disoriented, running behind a paradoxical happiness and reaching, most of the times, his own disillusionment. This is where the Christian faith points out that only in an integrated perspective of his personality, inclusively of all its constitutive dimensions, the human being can reach his full existencial accomplishment. And the personal reply to the fullness of man is found in Jesus Christ. Here it is what Gaudium et Spes teaches: only in the mystery of the incarnate Word does the mystery of man take on light; Christ fully reveals man to man himself and makes his supreme calling clear; and in Him all the aforementioned truths find their root and attain their crown. Jesus Christ invites the human being for a truly worthy and happy life. In each one of the essential relationships of the human being – with God, with another person, with the world and with himself –, Jesus Christ shows the way of the authentic humanity, which is not opposed to God and to all the creatures, but is exactly moved toward to them. It is in Jesus Christ that the extreme freedom and human possibilities fulfill themselves.
URI: http://hdl.handle.net/10923/5264
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