Utilize este identificador para citar ou criar um atalho para este documento: http://hdl.handle.net/10923/7006
Tipo: doctoralThesis
Título: Erótica e ontologia: um ensaio sobre a questão da ontoteologia no pensamento de Orígenes de Alexandria
Autor(es): Marques, Lúcio Álvaro
Orientador: Pich, Roberto Hofmeister
Editora: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Programa: Programa de Pós-Graduação em Filosofia
Data de Publicação: 2014
Palavras-chave: FILOSOFIA
TELEOLOGIA
ORÍGENES - CRÍTICA E INTERPRETAÇÃO
ONTOLOGIA
DEUS
Resumo: Duas perguntas fomentaram nossa pesquisa: “por que há algo e não o nada?” (G. Leibniz) e “o amor de Deus, para ser compreendido, pressupõe o amor humano?” (J. -Y. Lacoste). Elas pontuam elementos fundamentais à compreensão divina. O ser e o amor, desde a herança grega, semita e joanina, despertam uma interrogação sobre a convergência ou divergência entre os conceitos. Atentos às compreensões platônica (que situa o bem “para além do ser”) e à aristotélica (que afirma Deus como “para além do intelecto”), conscientes também das leituras de Lacoste e Ricoeur sobre o sentido e alcance do ser e do amor na tradição ocidental, interrogamos: necessita-se estabelecer uma relação entre ser e amor para compreender Deus?Eis a questão que enfrentamos mediante as críticas à ontoteologia: o “desvio” operado pelo pensamento cristão primitivo sobre o sentido do ser e seu esquecimento segundo Heidegger, a recusa levinasiana da neutralidade do pensamento ontológico, a busca de um discurso que pense Deus sem a contaminação do ser, a tentativa de destruição da idolatria do ser e a compreensão de um “Deus que ama sem ser” por Marion. Entre a crítica ao ser da ontoteologia (Heidegger), a recusa do ser (Lévinas) e a exclusiva adesão ao amor (Marion), não encontramos respostas suficientes, por isso voltamos ao pensamento cristão primitivo (Orígenes de Alexandria) para averiguar se encontramos uma formulação da compreensão divina que não se reduzisse ao objeto da crítica ontoteológica tanto quanto ao exclusivo discurso teológico sobre o amor. Uma formulação curiosa da nossa questão encontra-se em Joseph S. O‟Leary ao nomear o “oximoro endógeno à filosofia ocidental” como a necessidade de “reconciliar individualidade e universalidade, liberdade e necessidade lógica, Deus pessoal e razão suficiente”.Para afrontar a questão, recorremos ao primeiro sistema de pensamento cristão primitivo. Orígenes de Alexandria pareceu-nos uma testemunha fiel do esforço de conjugar a herança grega do ser à tradição semita da metafísica exódica, além da compreensão cristã do amor. Porém, tal empreendimento exigiu a elaboração de uma ontologia divina, una e trina, e uma erótica divina e humana. Finalmente, averiguamos a possibilidade de uma articulação entre a erótica, mediante a “passibilidade do Impassível” (passio caritatis Impassibilis), e a ontologia, unitária na essência e trinitária nas “hypóstases” (mía ousía trêis hypostáseis), porque assim responderíamos à questão fundamental tanto para a metafísica quanto para a teologia: é possível compreender Deus como ser e amor? A possibilidade de uma resposta à questão depende da conjunção entre ser e amor em uma unicidade concreta, isto é, é possível compreender a unicidade e a universalidade do Logos identificando-as ao Logos encarnado?
Two questions have supported our research: “why is there something rather than nothing?” (G. Leibniz) and “the love of God, to be understood, presupposes the human love?” (J. Y. Lacoste). They punctuate fundamental elements to the divine understanding. Being and love, since the Greek, Semitic and Johannine heritage, raise a question about the convergence or divergence between the concepts. Aware of the platonic (which puts the good “beyond being”) and Aristotle‟s (which states God as “beyond the intellect”) understandings, and also aware of Lacoste and Ricoeur readings about the sense and reach of being and love in the Western tradition, we ask: is it possible to understand and is it necessary to establish a relation between being and love to the understanding of God?That‟s the question we face by criticizing the ontotheology: the “diversion” operated by the early Christian thought about the sense of being and it forgetfulness, according to Heidegger, the Lévinas‟ refusal of the neutrality of the ontological thought, the search of a speech that thinks God without the contamination of being, the attempt of destruction of the idolatry of being and the understanding of a “God that loves without Being” by Marion. We don‟t judge enough the proposals of the criticism to the being of the ontotheology (Heidegger), the refusal of being (Lévinas) and the exclusive support to love (Marion), so were turn to the early Christian thought (Origen of Alexandria) to verify if we find a formulation of the divine understanding which did not restrict itself to the object of the ontotheological criticism as well as the exclusive theological speech about love.A curious formulation of our question is found in Joseph S. O‟Leary when he names the “endogenous oxymoron to the Western philosophy” as the necessity of “reconciliating individuality and universality, liberty and logical necessity, personal God and enough reason. ” To affront the question, we turn to the first system of the early Christian thought. Origen of Alexandria seemed to us to be a reliable witness of the effort to conjugate the Greek heritage of being to the semitic tradition of the Exodus Metaphysics, beyond the Christian understanding of love. However, this undertaking claimed the formulation of a divine, unique and trinity ontology, and a divine and human erotics. At last, we verify the possibility of an articulation between the erotics, by means the “possibility of the Impassive” (passio caritatis Impassibilis), and the ontology, unique in the essence and - trinit in the “hypóstases” (mía ousía trêis hypostáseis), because this way we would answer the fundamental question not only about the Metaphysics but also about the Theology: is it possible to understand God as being and love? The possibility of an answer to the question depends on the conjunction between being and love in a concrete unicity, that is, is it possible to understand the unicity and the universality of Logos identifying them to the personified Logos?
URI: http://hdl.handle.net/10923/7006
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