Utilize este identificador para citar ou criar um atalho para este documento: http://hdl.handle.net/10923/7228
Tipo: masterThesis
Título: Os Mbyá vão à escola: uma etnografia sobre os sentidos da escola na aldeia da Estiva
Autor(es): Carreira, Luiz Fernando Stumf
Orientador: De la Fare, Mónica
Editora: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Programa: Programa de Pós-Graduação em Educação
Data de Publicação: 2015
Palavras-chave: ÍNDIOS - BRASIL - EDUCAÇÃO
ÍNDIOS - ENSINO
GUARANI - ENSINO
ANTROPOFAGIA
Resumo: This dissertation presents an analysis of the Guarani-Mbyá school and its goal is to understand how the Guarani think and give meaning to the school institution introduced in the village. Therefore, the text emphasizes in its analysis how indigenous construct, transmit and acquire knowledge, correlating them with the kind of teaching and learning process favored by the school. This is an ethnographic study of the school of Estiva, village in the municipality of Viamão / RS. The study has its starting point in the growing indigenous movement toward the school, a move that seems to point the way they understand it. The speeches of the older members of the village show their concern about appropriating the powers of white man‟s world (its technology, bureaucracy and legal aspects, for example) which are fundamental to the survival of Guarani communities nowadays. In this sense, the school appears as an apprehension space of this other world aspects that are interesting and necessary to indigenous and which refer directly to the way they deal with otherness. Thus, the centrality given to Guarani processes of learning another "culture" refers to the analysis of the school according to classical topics of ethnology and corporality in the indigenous relationship with the white man. The cannibalistic predation, such as contact strategy appears as central key discussion I propose. The school, presented on this paper, while world's appropriation of white man‟s space, seems to take to the Mbyá a fundamental importance regarded to the possibility of incorporation of the Other, that is, white man.
Esta dissertação apresenta uma análise acerca da escola Guarani-Mbyá e seu objetivo é compreender o modo como os guaranis pensam e dão sentido à instituição escolar introduzida na aldeia. Para tanto, o texto procura dar ênfase em sua analise ao modo como os indígenas constroem, transmitem e se apropriam de conhecimentos, correlacionando-os com o tipo de processo de ensino e aprendizagem favorecido pela escola. Trata-se de um estudo de caráter etnográfico sobre a escola da Estiva, aldeia localizada no município de Viamão/RS. O estudo que tem seu ponto de partida no crescente movimento indígena em direção à escola, um movimento que parece apontar o modo como eles a compreendem. As falas dos membros mais velhos da aldeia evidenciam sua preocupação em apropriarem-se das potências referentes ao mundo dos brancos (sua tecnologia, burocracia e aspectos jurídicos, por exemplo) que são hoje fundamentais a sobrevivência das comunidades Guarani. Neste sentido, a escola surge como um espaço de apropriação de aspectos deste outro mundo que são interessantes e necessários aos indígenas e que remetem diretamente ao modo como estes lidam com a alteridade. Assim, a centralidade conferida aos processos guaranis de aprendizagem de outra “cultura” remete a análise sobre a escola aos temas clássicos da etnologia, como o da corporalidade e da relação indígena com o outro. A predação antropofágica, como estratégia de contato, surge então como chave central da discussão que proponho. A escola, abordada através deste viés, enquanto espaço de apropriação do mundo dos brancos, parece assumir para os Mbyá uma importância fundamental enquanto espaço de incorporação do Outro, isto é, do branco.
URI: http://hdl.handle.net/10923/7228
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