Utilize este identificador para citar ou criar um atalho para este documento: http://hdl.handle.net/10923/9623
Tipo: doctoralThesis
Título: Cérebro, leitura e dislexia: um estudo experimental sobre a leitura e as bases neurais da dislexia em monolíngues e aprendizes de inglês como L2, com o uso de ressonância magnética funcional
Autor(es): Azevedo, Aline Fay de
Orientador: Buchweitz, Augusto
Editora: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Programa: Programa de Pós-Graduação em Letras
Data de Publicação: 2016
Palavras-chave: BILINGUISMO
DISLEXIA
LEITURA
Resumo: O objetivo principal deste trabalho foi investigar o bilinguismo como fator mediador da leitura em disléxicos. A dislexia é um transtorno de aprendizagem de origem neurobiológica que se caracteriza por uma dificuldade inesperada no aprendizado da leitura, cujo principal obstáculo é a dificuldade de aprender o princípio alfabético e estabelecer associação entre grafemas e fonemas. Este transtorno de aprendizagem afeta leitores de qualquer língua, seja a ortografia mais transparente (associações diretas entre fonemas e grafemas, como o espanhol) ou opaca (inglês). Nesse sentido, há poucas pesquisas sobre bilíngues disléxicos e os efeitos das diferentes línguas na leitura de disléxicos. Os objetivos deste trabalho foram investigar (1) a relação desempenho leitor e bilinguismo na dislexia; (2) os correlatos neurais do desempenho de disléxicos bilíngues, monolíngues e leitores típicos (3) desempenho da leitura e escrita em disléxicos bilíngues em tarefas de leitura e escrita em inglês; (4) os correlatos neurais da ortografia transparente e opaca das duas línguas na leitura bilíngue. As hipóteses foram: (1) disléxicos bilíngues terão um desempenho superior nas tarefas de leitura e escrita em comparação aos disléxicos monolíngues e um desempenho mais próximo dos controles nas tarefas em inglês e português; (2) leitores disléxicos bilíngues e monolíngues apresentarão hipoativação de sistemas neurais posteriores de leitura e hiperativação compensatória de sistemas frontais; (3) disléxicos bilíngues terão um desempenho superior nas tarefas realizadas em português, se comparadas as tarefas em inglês, (4) correlatos neurais da leitura em disléxicos bilíngues refletirão estratégias lexicais e fonológicas de leitura em línguas opacas e transparentes.Os resultados mostram um desempenho superior dos disléxicos bilíngues (DB) em comparação aos disléxicos monolíngues (DM) em todos os componentes de leitura e escrita em português. Na tarefa precisão e fluência ortográfica em português o grupo DB apresentou uma média de erro de 28% (DP 9.38), já na mesma tarefa, porém em inglês, o grupo teve uma média de erro de 48% (DP 8.50). Na tarefa precisão e fluência na leitura oral de palavras e pseudopalavras em português o grupo DB teve uma média de erro de 6% (DP 2.38), já na mesma tarefa, porém em inglês, o grupo obteve uma média de erro de 19% (DP 2.58). Conclui-se que a aprendizagem de uma L2 influenciou positivamente o grupo DB do presente estudo, corroborando as ideias de Sparks and Ganschow (1991), relativas ao Linguistic Coding Differences Hypothesis. Na comparação do desempenho dos DB nas tarefas em português e inglês, os resultados sugerem que a aparente superioridade no desempenho dos DB nas tarefas em português possa estar ligada a questão da opacidade da língua (língua inglesa mais opaca e língua portuguesa mais transparente). Os resultados da neuroimagem (RMf) mostram que os disléxicos não têm ativação na área visual da forma das palavras (AVFP) para palavras; os leitores típicos, sim. Os disléxicos têm mais ativação para false font. Este resultado mostra que a AVFP ainda não automatizou e se adaptou à identificação da forma visual das palavras, ainda está respondendo mais a figuras. Nos leitores típicos, a ativação é imediata. Os resultados da ativação neural na tarefa em inglês e português sugerem que os DB ainda necessitam de automatização na leitura, evidenciada pela atividade da área da forma visual das palavras.
The main objective of this study was to investigate bilingualism as a mediator of reading in individuals with dyslexia. Dyslexia is a learning disorder of neurobiological origin and it is characterized by an unexpected difficulty when learning to read. Its main obstacle is a difficulty to learn the alphabetical principle and establish an association between graphemes and phonemes. This learning disorder affects readers of any language, for instance, Spanish (shallow) or English (deep). In this sense, there is little research on the side effects and effects of reading in different languages for dyslexic subjects. The objectives of this dissertation were to investigate (1) the relationship between reading performance and bilingualism in dyslexia; (2) the neural correlates regarding the performance of bilingual and monolingual individuals with dyslexia, as well as typical readers; (3) reading and writing performance in bilingual individuals with dyslexia; (4) the neural correlates of shallow and deep orthography of the two languages in bilingual reading. The hypotheses were: (1) bilinguals with dyslexia will present a better performance in reading and writing tasks when compared to monolinguals with dyslexia, and similar scores to the control group in tasks in English and Portuguese; (2) monolinguals will present hypoactivation of posterior neural systems of reading and compensatory hyperactivation of frontal systems; (3) bilinguals with dyslexia will present a better performance in tasks in Portuguese, if compared to tasks in English, due to the orthographic transparency of Portuguese; (4) neural correlates of reading in bilingual dyslexics will reflect lexical and phonological reading strategies for shallow and deep languages.The results showed a superior performance of dyslexic bilinguals (DB) in comparison to dyslexic monolinguals (DM) in all reading and writing components in Portuguese. In the task accuracy and orthographic fluency in Portuguese, the DM group had a mean error of 28% (SD 9.38), however, in the same task, but in English, the group had a mean error of 48% (SD 8.50). In the task accuracy and fluency in the reading of words and pseudowords in Portuguese, the DB group had a mean error of 6% (SD 2.38), however in the same task, but in English, the group obtained an average error of 19 % (SD 2.58). We concluded that the learning of an L2 has positively influenced the DB group of the present study, corroborating the ideas of Sparks and Ganschow (1991), concerning the Linguistic Coding Differences Hypothesis. In the comparison of DB performance in Portuguese and English tasks, the results suggested that the apparent superiority in DB performance in Portuguese tasks may be related to the orthographic depth. The results of the neuroimaging (fMRI) showed that the dyslexics do not present activation in the visual word form area (VWFA) for words, the typical do, though. Dyslexics have more activation for false font. This result shows that the VWFA has not yet automatized and adapted to the identification of the visual form of words, it is still responding more to figures. As for the Control group, activation is immediate. The results of the neural activation in the task in English and Portuguese suggested that the DB still lack automatization in reading.
URI: http://hdl.handle.net/10923/9623
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