Utilize este identificador para citar ou criar um atalho para este documento: http://hdl.handle.net/10923/10973
Tipo: doctoralThesis
Título: O processo de aculturação e a adultez emergente em atletas de futebol
Autor(es): Faggiani, Fernanda Tôrres
Orientador: Lisboa, Carolina Saraiva de Macedo
Editora: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Programa: Programa de Pós-Graduação em Psicologia
Data de Publicação: 2017
Palavras-chave: ACULTURAÇÃO
ADOLESCENTES
FUTEBOL - ASPECTOS PSICOLÓGICOS
PSICOLOGIA
Resumo: Introdução: O futebol é um esporte globalizado, e, assim, a mobilidade de atletas para integrar novas equipes esportivas tem aumentado de forma significativa. Desde muito cedo, jovens atletas residentes em clubes de futebol no Brasil, vindos de diferentes regiões do país e do exterior enfrentam o processo de aculturação, ou seja, a transição/inserção em uma cultura diversa da sua em função da carreira esportiva. O processo pelo qual o indivíduo aculturado passa, ao mudar-se para um novo local culturalmente diferente ao seu, tem se mostrado de grande impacto para sua aderência à nova realidade além de influenciar diretamente na performance e no ciclo vital do atleta. Contudo, esse fenômeno tem sido pouco explorado e levado em consideração ao avaliar o sucesso e o fracasso dos atletas no contexto futebolístico, principalmente na área da Psicologia do Esporte. Além de se depararem com questões culturais bem diferentes (como alimentação, temperaturas e valores), os atletas enfrentam rotinas intensas de treinos intercalados com atividades escolares, estando, assim, em risco de apresentar sofrimento emocional por estarem em um novo contexto e terem pouco tempo para adaptação, devido à alta exigência relacionada à performance esportiva no futebol em um curto período de tempo. Objetivo: Compreender como se dá o processo de aculturação, identificando aspectos a ele associados, e o processo de transição para a vida adulta e a adultez emergente em atletas das categorias de base do futebol. Método: Pesquisa com delineamento misto e longitudinal, utilizando uma entrevista semiestruturada, questionário sociodemográfico e seis instrumentos: Inventário de Habilidades Sociais, Inventário de Dimensões da Adultez Emergente, Escala de Expectativas Futuras de Adolescentes, Inventário de Ansiedade Beck, Escala de Depressão de Beck, Inventário de Sintomas de Stress.Participaram da pesquisa qualitativa oito atletas das categorias de base de um clube de futebol do sul do Brasil, residentes no clube há pelo menos 6 meses e com idades entre 16 e 20 anos. Na etapa quantitativa, participaram 29 atletas, sendo que os 29 atletas aculturados preencheram todos os instrumentos na admissão no clube, e apenas 21 deles completaram as duas coletas subsequentes três e seis meses após sua chegada. Para a análise dos dados, foi utilizada a análise de conteúdo e análise estatística descritiva e inferencial, verificando frequências e correlações entre as variáveis. Resultados: Embora os resultados não apontem mudanças significativas nas variáveis ao longo dos três tempos coletados durante os seis meses do processo de aculturação, 63% dos atletas aculturados apresentaram déficits nas habilidades sociais após seis meses desse processo, sendo os fatores de enfrentamento e de autoexposição os que apresentaram déficits mais significativos. Os atletas apresentaram sintomas mínimos de ansiedade, depressão e estresse durante o processo de aculturação. No entanto, correlações significativas foram encontradas entre as habilidades sociais de autocontrole e ansiedade e depressão. Segundo a análise de conteúdo (Bardin, 2011), os atletas descrevem pontos, como a chegada ao clube sem conhecer ninguém, os costumes da região sul (por exemplo, alimentação e personalidade dos gaúchos), a temperatura, o tipo de treinamento, assim como a distância de casa e da família, como fatores de risco para a adaptação que interferem no rendimento esportivo. Referem, ainda, um incremento no uso de novas tecnologias de informação e comunicação (TICS), como o WhatsApp, para interação com amigos e familiares.Em relação à adultez emergente dos atletas aculturados, os mesmos parecem estar vivenciando essa fase, experienciando principalmente características como ambivalência, exploração da identidade e experimentação de possibilidades, sendo otimistas com o que o futuro os reserva. Além disso, os resultados apontam que os atletas possuem perspectivas que consideram importantes para o seu futuro, especialmente ligados ao trabalho, à constituição da família e à saúde. Somente a idade e as perspectivas de futuro parecem ser preditores significativos da adultez emergente. Discussão: O decréscimo de habilidades sociais e as falas dos atletas reforçam estudos que postulam que a adaptação a uma nova cultura pode ser um processo complexo e de risco (Evans, & Stead, 2012; Richardson et al., 2012). Compreender o processo de aculturação e os desafios enfrentados pelos atletas na chegada a um novo clube é importante para a prevenção em relação à alienação social, ao déficit em habilidades sociais e aos fracassos no desempenho esportivo. A formação de novos vínculos e redes de apoio mostrou-se necessária e uma das principais estratégias utilizadas pelos atletas para enfrentar as adversidades do processo de aculturação e do esporte. No que diz respeito à adultez emergente, os resultados parecem identificar que os atletas assumem responsabilidades de adultos, como o sustento da família, além de liberdade de escolha e possibilidade de experimentar novas situações profissionais e amorosas. Isso ocorre antes de assumir o papel de adulto, concretizando a formação da própria família e sua estabilidade profissional, como aparecem nas perspectivas de futuro desses atletas. Essas responsabilidades e perspectivas de futuro parecem afetar positivamente a saúde mental dos atletas, que não apresentam índices elevados de ansiedade e depressão.Além disso, as perspectivas de futuro mostraram-se significativamente influentes para as dimensões da adultez emergente.
Introduction: Soccer is a global sport and thereby the mobility of athletes to integrate new sports teams has increased significantly. From an early age, young athletes’ resident in brazilian soccer clubs from different regions of the country and abroad face the process of acculturation, i.e. the transition/insertion into a diverse culture to your depending on the career. The process by which the individual cultural passes on moving to a new place culturally different from his own, has been shown to be of great impact to grip the new reality, and it directly influences the athlete´s performance and life cycle. However, this phenomenon has been little explored and taken into account when assessing the athletes’ success and failure on the soccer context, especially in the field of Sport Psychology. Besides coming across very different cultural issues such as food, temperature and values, the athletes face intense routines of workouts interspersed with school activities, being at risk to present emotional distress by being in a new context and have little time to adapt because of high demand related to sports performance in soccer in a short period of time. Goal: To understand the process of acculturation in athletes from the soccer academy, identifying associated aspects and the transition to adulthood and emerging adulthood. Method: Survey of mixed and longitudinal design using a semi-structured interview, sociodemographic questionnaire and six instruments: Social Skills Inventory, Inventory of Dimensions of Emerging Adulthood, Scale of Future Expectations for Adolescents, Beck Anxiety Inventory, Beck Depression Scale, Stress Symptoms Inventory. Eight athletes from a soccer acadamey club in the south of Brazil participated in the qualitative research. They were residents at the Club for at least 6 months and aged between 16 and 20 years.Twenty-nine athletes participated in the quantitative stage, considering that all these 29 acculturated athletes filled all the instruments on the admission at the Club but only 21 athletes completed the two subsequent applications, three and six months after their arrival at the Club. Content analysis as well as descriptive and inferential statistical analysis checking frequencies and correlations between variables were used for the data analysis. Results: Although the results do not show significant changes in variables over the three times collected during the six months of the process of acculturation, 63% of the acculturated athletes demonstrated social skills deficits after six months of this process, being the coping factors and self-exhibition the most significant ones. The athletes presented minimal symptoms of anxiety, depression and stress in the process of acculturation. However, significant correlations were found between social skills and selfcontrol of anxiety and depression. According to content analysis (Bardin, 2011), athletes describe points as the arrival at the Club without knowing anyone, the customs of the southern region, temperature, type of training, as well as the distance from home and the family as risk factors for adaptation and that interfere in their sports performance. They also make reference to an increase in the use of new information and communication technologies (ICTS) as WhatsApp for interaction with friends and family. Regarding the acculturated athletes emerging adulthood, they seem to be experiencing this phase, mainly features like ambivalence, exploration of identity and experimenting with possibilities, as being optimistic about what the future holds. In addition, the results show that athletes have prospects that they consider important for their future, especially connected to work, the constitution of a family and their health.Both age and future prospects are the only ones that appear to be significant predictors of emerging adulthood. Discussion: The decrease of social skills and athletes’ speech strengthen studies that postulate the fact that the adaptation to a new culture can be a complex process and it can involve risk. Understanding the acculturation process and the challenges faced by athletes upon arrival at a new Club is important for prevention concerning social alienation, the deficits in social skills and sports performance failures. The forming of new links and support networks proved necessary and one of the main strategies used by athletes to face the adversity of the process of acculturation and the sport. Regarding emerging adulthood, the results seem to identify that athletes take on adult responsibilities as supporting a family, as well as freedom of choice and the possibility to experience new situations within a professional field and a romantic one. This occurs before assuming the role of adult accomplishing the dream of building his own family and obtaining professional stability, as they appear in the future prospects of these athletes. These responsibilities and future prospects seems to positively affect the mental health of athletes who do not have high levels of anxiety and depression. In addition, the future prospects were significantly influential to the emerging adulthood.
URI: http://hdl.handle.net/10923/10973
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