Utilize este identificador para citar ou criar um atalho para este documento: http://hdl.handle.net/10923/15269
Tipo: masterThesis
Título: Mulheres e a madresposa que há em nós: a educação para o amor romântico
Autor(es): Campagnaro, Sara
Orientador: Eggert, Edla
Editora: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Programa: Programa de Pós-Graduação em Educação
Data de Publicação: 2019
Palavras-chave: MULHERES - ASPECTOS SOCIAIS E MORAIS
MULHERES - EDUCAÇÃO
RELAÇÕES DE GÊNERO
PATRIARCALISMO
AMOR
Resumo: O amor se entrelaça com as relações cotidianas de mulheres e homens, de forma que é um dos aprendizados socializados pelos seres humanos, formando subjetividades e se manifestando concretamente na maneira como lidamos com o mundo e com os outros. Porém, os modos de ensinar e aprender o amor ocorrem de maneiras distintas para homens e mulheres, sendo marcante como o amor é posto como foco primordial à vida das mulheres. Esta pesquisa tem como objetivo analisar os processos educativos que formam a existência das mulheres na vivência amorosa, com base na problematização do ideal de amor romântico. Este é um estudo bibliográfico e problematiza o amor romântico como um ideal de amor incondicional, que naturaliza um papel social de doação das mulheres ao cuidado com os outros. Buscamos refletir e criticar a construção de uma sociedade patriarcal, baseada no amor romântico, e, em contraponto a essa visão, apresentamos a noção de amor como construção situada sóciohistoricamente, além de analisar como mulheres aprendem a naturalizar o amor como centro de sua vida; ademais, aprendem a servir voluntariamente pelo investimento de sua energia vital em prol de outras pessoas, mesmo sem receber reconhecimento por esse trabalho.Para tal, aprofundamo-nos na antropóloga mexicana Marcela Lagarde y de los Ríos, especialmente, de seu conceito de madresposa, que expõe o cativeiro esperado socialmente para as mulheres, ou seja, ser mãe e esposa de e para um outro. E como apoio a essa leitura, aproximamos ideias da filósofa francesa Simone de Beauvoir, para, assim, por meio da hermenêutica feminista, compreender as opressões que envolvem a educação da madresposa. A educação das mulheres para o amor romântico ocorre em todos os espaços de interação da sociedade, sendo que as bases para esses ensinamentos já estão postas desde antes do nascimento de uma criança. Identificamos rastros desse processo educativo, que visa à construção da madresposa. O custo de um ensino do amor romântico como foco da vida das mulheres é de uma renúncia de si em prol de outras pessoas (como marido, filhos e parentes); da dificuldade de viver sozinhas e de descobrir o amor próprio; o abandono de projetos pessoais; da baixa autoestima ligada ao seu corpo (por não estar em um “peso ideal”, por exemplo); da manutenção da sexualidade das mulheres como um tabu; entre outros. Tendo a Educação como um processo amplo e relativo aos aprendizados cotidianos, que estabelece relação direta com tornar-se humano, ao findar da pesquisa, fica evidente que repensar e superar as formas como ensinamos e centralizamos o amor na vida das mulheres é essencial para que mulheres possam buscar novos modos de se relacionar amorosamente consigo e com os outros.
Love interweaves daily in relationships between men and women, becoming a socialized learning by human beings, forming subjectivities and concretely manifesting on how we deal with the world and others. However, the means of teaching and learning love are distinctly different to men and women, and it is transparent how love is placed as the primary focus in women’s lives. The purpose of this research is to analyze the educational processes that construct the existence of women in the experience of love, based on the ideology of romantic love problematization. This is a bibliographic study that focuses on the problematization of romantic love as an ideal of unconditional love, which creates a social role in women’s lives to be naturally giving and caring towards others. We seek to reflect and criticize the construction of a patriarchal society based on romantic love and, in contrast to that, we present the notion of love as a socio-historical construction, and analyze how women learn how to naturalize love as the center of their lives; furthermore, they learn how to voluntarily serve by investing their vital energy in favor of others, even without receiving recognition. To that end, we immersed in discussions of the Mexican anthropologist Marcela Lagarde y de los Ríos, specifically focusing on her concept of madresposa, which exposes the social captivity expected for women that is being a self-less mother and wife.In support of that reading, the ideas of French philosopher Simone de Beauvoir were approached, so that through the feminist hermeneutics we can understand the oppressions involved in the education of a madresposa. Women’s education for romantic love happens in all spheres of influence in society, and the basis for this line of teaching is already in place even before the birth of a child. We identified traces of this educational process, which aims at the construction of a madresposa. The downfall of teaching romantic love as the focus in women’s lives is the renunciation of self for other people (such as husband, children, and relatives); the struggles involved in being self-sufficient and discovering self-love; the abandonment of personal projects; low self-esteem related to body image (for not being in an “ideal weight”, for example); the expressions of women’s sexuality as a taboo,among others. Considering education as a broad process that daily shapes our being, at the end of this research, it becomes evident that rethinking and re-evaluating the ways love is taught in women’s lives is essential for them to seek new ways to relate in a loving manner with themselves and with others.
URI: http://hdl.handle.net/10923/15269
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