Utilize este identificador para citar ou criar um atalho para este documento: http://hdl.handle.net/10923/10869
Tipo: masterThesis
Título: Lateralidade no uso das mãos durante a alimentação por Brachyteles hypoxanthus em ambientes natural
Autor(es): Slomp, Daniel Vilasboas
Orientador: Bicca-Marques, Júlio César
Strier, Karen Barbara
Editora: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Programa: Programa de Pós-Graduação em Zoologia
Data de Publicação: 2016
Palavras-chave: PRIMATAS
EQUILÍBRIO POSTURAL
ZOOLOGIA
Resumo: Ao longo das últimas décadas, tornou-se claro que a lateralidade comportamental não estava restrita aos seres humanos. Em humanos, a manifestação mais evidente de lateralidade é a preferência manual desviada para a direita, a qual está relacionada ao desenvolvimento do hemisfério cerebral esquerdo. Os primatas não-humanos expressam variados graus de lateralidade, mas apresentam uma preferência manual populacional em menor intensidade do que a humana. A discussão sobre a origem e a evolução da lateralidade em primatas é extensa, mas convergiu em torno de duas teorias principais. A Teoria da Origem Postural (TOP) postula que os primatas arborícolas exibem uma preferência pelo uso da mão esquerda, enquanto que os primatas de hábito terrestre apresentam uma preferência pela mão direita. A Teoria da Complexidade da Tarefa (TCT) postula que os primatas não apresentariam preferência manual ao realizarem tarefas de baixa complexidade. Porém, a preferência manual se manifestaria durante a execução de tarefas de alta complexidade. Estudamos a lateralidade dos indivíduos de uma população selvagem de muriqui-do-norte executando tarefa unimanual ou bimanual de baixa complexidade – alcance simples do alimento - em seu habitat arbóreo tridimensional. O objetivo do estudo foi avaliar se os muriquis apresentam preferência manual desviada para a esquerda, conforme previsto pela TOP para primatas arborícolas ou a ausência de preferência manual, conforme previsto pela TCT em tarefas de baixa complexidade. Os muriquis-do-norte apresentaram uma preferência manual populacional desviada para a esquerda na atividade de alcance simples do alimento. Não houve diferenças sexuais na lateralidade. Os muriquis exibiram lateralidade mais forte quando engajados em atividade alimentar bimanual do que em atividade unimanual.Sugerimos que a liberação das mãos das demandas posturais em eventos de alimentação nos quais o indivíduo fica suspenso pela cauda e pés pode favorecer a expressão da lateralidade nos muriquis. Portanto, a estabilidade postural no ambiente arbóreo parece modelar a lateralidade nos muriquis-do-norte. Estes resultados são discutidos em comparação com outros primatas não-humanos e em relação aos fatores associados à lateralidade em seres humanos. Sugerimos a necessidade de estudos adicionais nos ambientes arbóreo e terrestre para avaliar as implicações dessas diferenças ambientais para a origem da lateralidade nos primeiros hominídeos.
Over the last decades, it has become clear that behavioral lateralization is not restricted to humans. The most evident manifestation of laterality in humans is the prevalence of handedness, the dominant use of the right hand, which is related to the development of the left cerebral hemisphere. Nonhuman primates express varying degrees of laterality, but exhibit a population-level handedness less intense than humans. There is a strong debate about the origin and evolution of primate handedness. This debate focuses on two main hypothesis. The Postural Origins Theory (POT) states that arboreal primates exhibit a left hand preference, whereas terrestrial primates exhibit a right hand preference. The Task Complexity Theory (TCT) states that the complexity of the task modulates hand preference in primates. While low-level tasks do not require hand specialization, high-level tasks elicit hand preference. We studied the handedness of members of a wild population of northern muriquis during a simple unimanual and bimanual low-level task – the simple reach of food items – in their three-dimensional arboreal habitat. The aim of the study was to evaluate whether northern muriquis exhibit a left hand preference, as predicted by the POT for arboreal primates, or a lack of hand preference, as predicted by the TCT for low-level tasks. The muriquis showed a population-level left hand bias when performing the low complexity task. There were no sex differences in handedness.The muriquis exhibited stronger handedness when engaged in bimanual than in unimanual feeding activity. We suggest that the release of the hands from the postural demands when individuals are hanging from their tails and feet favors the expression of laterality in muriquis. Therefore, postural stability in the arboreal environment seems to modulate the degree of handedness in northern muriquis. We compare these results with the pattern observed in other nonhuman primates and discuss them in light of the factors associated with handedness in humans. We suggest that studies in both arboreal and terrestrial environments are necessary to assess the implications of these environmental differences for the origin of handedness in the first hominids.
URI: http://hdl.handle.net/10923/10869
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